FIT no Rastreamento do Câncer Colorretal Para Médicos

Teste imunoquímico fecal (FIT) para rastreamento do câncer colorretal

O câncer colorretal é uma das neoplasias mais significativas em saúde pública, não apenas pela sua alta incidência, mas também pela possibilidade de prevenção e diagnóstico precoce. Diferente de muitos outros tipos de câncer, o câncer colorretal pode ser rastreado através de métodos que conseguem identificar lesões precursoras ou sinais indiretos de neoplasia antes que os sintomas se manifestem. Nesse contexto, o teste imunoquímico fecal (FIT), que detecta hemoglobina humana nas fezes, tem se destacado como uma alternativa não invasiva para o rastreamento do câncer colorretal em adultos de risco médio.

O que é o FIT?

O FIT é um teste de fezes que utiliza um método imunoquímico para detectar a presença de hemoglobina humana. Por ser específico para sangue humano, esse teste apresenta menos interferências causadas pela dieta e pelo uso de medicamentos em comparação aos métodos tradicionais baseados em guaiaco. Na prática, o FIT tem como objetivo identificar sangramentos ocultos nas fezes, que podem ocorrer em decorrência de câncer colorretal ou de adenomas avançados. A simplicidade e a não invasividade do teste, que pode ser realizado em casa, favorecem a adesão de pacientes que, de outra forma, poderiam adiar ou recusar a colonoscopia.

Quem deve realizar o FIT?

O FIT é recomendado para adultos assintomáticos que apresentam risco médio para o câncer colorretal. Em geral, as diretrizes sugerem que o rastreamento do câncer colorretal comece aos 45 anos e continue até os 75 anos, salvo a presença de sintomas ou fatores que justifiquem uma investigação mais aprofundada. Pacientes considerados de risco médio não devem ter:

  • Histórico pessoal de câncer colorretal;
  • Pólipos adenomatosos avançados anteriormente;
  • Doença inflamatória intestinal;
  • Síndromes hereditárias associadas ao câncer colorretal;
  • Histórico familiar que sugira um risco aumentado;
  • Sintomas como sangramento retal, anemia ferropriva inexplicada, perda de peso ou mudanças persistentes nos hábitos intestinais.

Pacientes com sintomas não devem ser rastreados com o FIT, pois a avaliação nesses casos deve ser diagnóstica e pode requerer colonoscopia ou outro tipo de investigação direcionada.

Limitações do FIT

Embora o FIT seja uma estratégia eficaz de rastreamento, é importante ressaltar que ele não substitui a colonoscopia. O teste deve ser visto como uma ferramenta para aumentar a cobertura populacional e a adesão ao rastreamento, mas não deve ser utilizado como um exame definitivo. O resultado positivo do FIT exige a realização de uma colonoscopia para uma avaliação mais detalhada. É um erro comum repetir o FIT após um resultado positivo, pois isso pode atrasar o diagnóstico e o tratamento necessário.

Comparação entre FIT e teste de sangue oculto por guaiaco

O teste de sangue oculto por guaiaco foi amplamente utilizado para rastreamento do câncer colorretal durante muitos anos, mas possui limitações significativas, como a interferência da dieta e a necessidade de múltiplas amostras. O FIT, por sua vez, tem se mostrado uma opção preferida em muitos cenários, pois detecta especificamente a hemoglobina humana, o que resulta em maior adesão e eficácia no diagnóstico. A tabela a seguir resume as principais diferenças entre os dois métodos:

Características Guaiaco FIT
Detecta Atividade peroxidase do heme Hemoglobina humana
Interferência alimentar Sim Não relevante
Restrição de medicamentos Pode ser necessária Em geral, não
Número de amostras Maior Menor
Adesão Menor Maior
Sensibilidade para câncer colorretal Menor Maior

Frequência e conduta após o FIT

A periodicidade recomendada para a realização do FIT é anual, com a finalidade de maximizar os benefícios do rastreamento. É importante que os resultados sejam interpretados corretamente: um resultado negativo não elimina a necessidade de novos testes, enquanto um resultado positivo requer imediata realização de colonoscopia. A organização do programa de rastreamento deve garantir que haja um fluxo claro para a devolução das amostras, comunicação dos resultados e encaminhamentos para colonoscopia quando necessário.

Orientação para a coleta do FIT

A coleta do FIT é simples e deve ser realizada em casa, utilizando um kit apropriado. Algumas orientações práticas incluem:

  • Coletar a amostra conforme as instruções do kit;
  • Evitar contaminação com urina ou água do vaso sanitário;
  • Armazenar e transportar a amostra conforme as orientações do laboratório;
  • Não coletar amostras durante o sangramento menstrual ou sangramento anorretal ativo;
  • Devolver a amostra dentro do prazo indicado.

Conclusão

O FIT é uma ferramenta valiosa, não invasiva e acessível para o rastreamento do câncer colorretal em adultos assintomáticos de risco médio. Por detectar hemoglobina humana nas fezes, oferece várias vantagens em relação ao teste de sangue oculto por guaiaco, incluindo maior adesão e melhor desempenho na detecção do câncer colorretal. É fundamental que o uso do FIT seja parte de um sistema organizado de rastreamento, garantindo que todos os resultados positivos sejam seguidos de colonoscopia. Essa abordagem não apenas melhora a detecção precoce de neoplasias relevantes, mas também pode contribuir significativamente para a redução da mortalidade associada ao câncer colorretal.

Referências

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