Câncer de Intestino Sintomas e Tratamento que Você Precisa Saber

Câncer de intestino - Gráfico de fatores de risco e sintomas

Câncer Colorretal: Compreendendo Causas, Sintomas e Tratamentos

O que é o câncer colorretal?

O câncer colorretal refere-se aos tumores malignos que se formam no intestino grosso, abrangendo tanto o cólon quanto o reto. Este tipo de câncer é uma das formas mais frequentes de câncer no sistema digestivo e ocupa a terceira ou quarta posição entre todos os tipos de câncer diagnosticados. O intestino grosso, que mede aproximadamente 1,5 metros, é a última parte do trato digestivo e é composto pelo ceco, cólon e reto. Embora o câncer colorretal possa ser tratado e curado quando detectado em estágios iniciais, a taxa de mortalidade ainda é elevada, principalmente devido à falta de rastreio adequado na população. No Brasil, são registrados cerca de 30 mil novos casos e 15 mil mortes anualmente associados a este câncer.

A maioria dos cânceres de cólon se origina a partir de pólipos, que são pequenos tumores benignos que podem se formar na mucosa intestinal. Até 30% da população adulta pode ter pólipos em seu cólon, embora a maioria deles permaneça inofensiva. Contudo, os pólipos adenomatosos têm potencial para se transformar em câncer, com cerca de 5% deles evoluindo para adenocarcinoma após aproximadamente 10 anos.

Dessa forma, a detecção precoce de pólipos adenomatosos é crucial para a prevenção do câncer colorretal. A colonoscopia é um exame que permite tanto a identificação quanto a remoção desses pólipos, evitando o desenvolvimento de câncer.

Fatores de risco

O câncer colorretal pode ser influenciado por diversos fatores, sendo classificados em dietéticos, ambientais e genéticos. Aqueles com histórico familiar e fatores hereditários apresentam maior risco e devem ser monitorados de forma mais rigorosa. O rastreio com colonoscopia geralmente é recomendado a partir dos 50 anos, já que cerca de 90% dos casos ocorrem após essa idade. No entanto, certos fatores podem exigir que o rastreio comece antes dos 50 anos.

1. Fatores de risco mais graves

  • Polipose adenomatosa familiar (PAF): Esta condição genética autossômica dominante resulta na formação de centenas de pólipos adenomatosos no intestino, e 90% dos indivíduos afetados desenvolvem câncer de cólon antes dos 45 anos.
  • Polipose associada ao gene MUTYH: Outra mutação genética que, embora menos comum, também leva ao surgimento de múltiplos pólipos e um alto risco de câncer colorretal.
  • Síndrome de Lynch: Esta mutação genética autossômica dominante é responsável por cerca de 3 a 5% dos casos de câncer colorretal. Os pacientes têm risco elevado de câncer, mesmo sem a presença de múltiplos pólipos.
  • Histórico familiar: Ter um parente próximo com câncer colorretal aumenta o risco em duas vezes, especialmente se o diagnóstico ocorreu antes dos 50 anos.
  • Doenças inflamatórias intestinais: Pacientes com retocolite ulcerativa têm um risco aumentado, que pode variar entre 3 a 15 vezes, dependendo da gravidade da doença.
  • Radiação abdominal: Indivíduos que receberam radioterapia na infância para tratar outros tipos de câncer estão em um grupo de risco elevado.

2. Fatores de risco menos graves

  • Afrodescendência.
  • Obesidade.
  • Sedentarismo.
  • Diabetes mellitus.
  • Consumo frequente de carne processada.
  • Tabagismo.
  • Consumo diário de bebidas alcoólicas.

Sintomas

Em muitos casos, o câncer de cólon não apresenta sintomas nas fases iniciais. Os sinais geralmente aparecem quando o tumor já está grande o suficiente para causar sangramento ou obstruir o intestino. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Sangramento nas fezes;
  • Anemia;
  • Dores abdominais;
  • Alterações no hábito intestinal, como prisão de ventre ou diarreia;
  • Fezes finas;
  • Sensação frequente de evacuação incompleta.

É importante notar que cerca de 20% dos pacientes diagnosticados com adenocarcinoma do cólon apresentam sintomas de metástases, afetando órgãos como linfonodos, fígado, pulmões e peritônio.

Diagnóstico

A colonoscopia é atualmente o método mais eficaz para diagnosticar tumores no intestino grosso. Este exame permite a visualização direta do tumor e a realização de biópsias, confirmando o diagnóstico através da análise histopatológica.

Estadiamento do tumor

Após o diagnóstico, o próximo passo é o estadiamento, que avalia a extensão da doença e as opções de tratamento. O sistema TNM (Tumor, Nódulo linfático, Metástase) é utilizado para descrever a gravidade do câncer. Os estádios são categorizados da seguinte forma:

  • Estádio I: O tumor está restrito à mucosa do cólon ou reto.
  • Estádio II: O tumor penetrou a parede do intestino, mas não afetou os linfonodos próximos.
  • Estádio III: O tumor invadiu linfonodos, mas não há metástases à distância.
  • Estádio IV: O tumor já se espalhou para outros órgãos.

Tratamento

Aproximadamente 80% dos casos de câncer de intestino são diagnosticados nos estádios I, II ou III, permitindo a realização de cirurgias com potencial curativo. Tumores muito iniciais podem ser tratados com a excisão completa do pólipo por meio da colonoscopia. Para tumores maiores, a cirurgia (colectomia) é necessária, incluindo a remoção de linfonodos para exame. Em casos avançados, a colectomia pode ser mais extensa, e a colostomia pode ser necessária.

Pacientes no estádio III, que têm linfonodos comprometidos, geralmente são submetidos à quimioterapia após a cirurgia para eliminar qualquer célula cancerígena remanescente.

Rastreio do câncer de cólon

A transformação de um pólipo em câncer geralmente leva cerca de 10 anos, tornando o câncer colorretal um dos tipos mais detectáveis por meio de rastreamento. A colonoscopia é o exame mais recomendado, pois não apenas diagnostica pólipos, mas também permite sua remoção. O rastreio deve iniciar aos 45 anos para a população geral, com repetições a cada 10 anos se o primeiro exame for normal. Para indivíduos com alto risco, o rastreio deve começar 10 anos antes do caso familiar mais jovem.

Referências bibliográficas

  • The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Management of Rectal Cancer – Diseases of the Colon & Rectum.
  • Treatment of Patients with Early-Stage Colorectal Cancer Resource-Stratified Guideline – American Society of Clinical Oncology.
  • Localised Colon Cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up – European Society for Medical Oncology.
  • Clinical presentation, diagnosis, and staging of colorectal cancer – UpToDate.
  • Colorectal cancer: Epidemiology, risk factors, and protective factors – UpToDate.
  • Screening for colorectal cancer: Strategies in patients at average risk – UpToDate.
  • Pathology and prognostic determinants of colorectal cancer – UpToDate.

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