Nos últimos anos, a violência contra profissionais de enfermagem tem se tornado um tema alarmante, especialmente em hospitais e unidades de pronto atendimento. Um levantamento realizado pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) revelou que cerca de 80% dos enfermeiros e técnicos de enfermagem no estado já relataram ter sido vítimas de agressões físicas ou verbais. O cenário evidencia a gravidade do problema e suas repercussões na saúde mental e na qualidade do atendimento aos pacientes.
O Crescimento da Violência nos Hospitais
De acordo com a pesquisa do Coren-SP, 47,7% dos profissionais que relataram agressões afirmaram ter enfrentado mais de um episódio nos últimos três anos. A maioria das agressões ocorre por parte de pacientes e acompanhantes, e as principais causas citadas incluem a demora no atendimento (65,5%), problemas estruturais nas instituições (55,3%) e insatisfação com a assistência prestada (46,8%).
As agressões mais comuns são verbais, atingindo 88,8% dos relatos, seguidas por agressões psicológicas (78,7%) e físicas (21,1%). Apesar da elevada incidência, aproximadamente 70% dos profissionais não formalizam denúncias, motivados pela sensação de impunidade e pela falta de apoio institucional.
Histórias Impactantes de Profissionais da Enfermagem
O enfermeiro Flávio Vieira da Veiga, com 26 anos de experiência, compartilhou sua experiência traumática quando foi agredido enquanto trabalhava em uma UPA. Um homem invadiu a sala de triagem e, após uma série de agressões, Flávio ficou inconsciente e teve que ser socorrido por seus colegas. Ele sofreu hematomas, feridas abertas e uma fratura no nariz, resultando em uma cirurgia corretiva. Flávio lamenta a crescente desvalorização da profissão, afirmando que, em seus primeiros anos de trabalho, o desrespeito não era tão comum.
Motivos das Agressões
Os dados do Coren-SP mostram que as principais motivações para as agressões estão relacionadas a questões que vão além do atendimento em si. O presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto, destaca que a insatisfação dos pacientes geralmente se deve a problemas estruturais das instituições, como a falta de profissionais e equipamentos adequados. Essa pressão acaba recaindo sobre os enfermeiros, que são frequentemente o primeiro ponto de contato no atendimento e, portanto, os mais vulneráveis a reações agressivas.
Consequências Para a Saúde Mental dos Profissionais
A violência no ambiente de trabalho impacta diretamente a saúde mental dos enfermeiros. Em um estudo realizado em 2025, mais de 500 mil trabalhadores precisaram se afastar por problemas relacionados à saúde mental, com os técnicos de enfermagem figurando entre as profissões mais afetadas. Muitos profissionais relatam que episódios de agressão resultaram em medo e insegurança, levando a afastamentos prolongados e dificuldade em retornar ao trabalho.
A Necessidade de Ação e Políticas de Prevenção
Recentemente, a situação da violência contra enfermeiros no estado de São Paulo ganhou atenção legislativa com o Projeto de Lei 1254/2025, que busca criar um protocolo municipal para prevenir e combater a violência no ambiente de trabalho. Essa iniciativa é fundamental para garantir um ambiente seguro para os profissionais de saúde e aumentar a conscientização sobre a importância do respeito e da segurança no atendimento.
Desvalorização Histórica e Questões de Gênero
Outro fator a ser considerado é a desvalorização histórica da profissão, que está ligada a questões de gênero e etnia. A maioria dos profissionais de enfermagem é composta por mulheres, que representam 86% dos respondentes na pesquisa do Coren-SP. Essa realidade reflete um contexto social onde as mulheres frequentemente enfrentam violência e discriminação no ambiente de trabalho, agravando ainda mais a situação de vulnerabilidade dos enfermeiros.
Conclusão
As histórias de agressões enfrentadas por profissionais de enfermagem revelam um problema sério que precisa ser urgentemente abordado. A implementação de políticas de prevenção e apoio aos trabalhadores é fundamental para garantir não apenas a segurança dos profissionais, mas também a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. A luta por um ambiente de trabalho mais seguro e respeitoso deve ser uma prioridade para todos os envolvidos na área da saúde.
Nota de Responsabilidade:O Saúde com Inteligência é um portal informativo e educacional. As informações apresentadas não substituem avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica.







