
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica não transmissível que se caracteriza por um aumento persistente da pressão arterial. Estima-se que essa doença afete aproximadamente 32% da população adulta e até 60% dos indivíduos idosos. Muitas vezes, a hipertensão arterial é subdiagnosticada, uma vez que seu desenvolvimento é silencioso. Mesmo na ausência de sintomas, a HAS pode predispor a várias complicações graves, como aterosclerose, Acidente Vascular Cerebral (AVC), Infarto Agudo do Miocárdio, Doença Renal Crônica e Insuficiência Cardíaca. Portanto, é crucial iniciar o tratamento para prevenir essas complicações. Apesar de sua alta prevalência, apenas cerca de 35% das pessoas com hipertensão possuem pressão arterial bem controlada, o que ressalta a importância de um manejo adequado da condição.
O que é Hipertensão Arterial Sistêmica?
A hipertensão arterial sistêmica é definida por uma pressão arterial sistólica (PAS) ≥140 mmHg e/ou pressão diastólica (PAD) ≥90 mmHg, de forma persistente, e não apenas em situações momentâneas como estresse ou atividade física. A HAS pode ser classificada em primária, que representa cerca de 90% dos casos, e secundária. É importante observar que a American Heart Association considera a pressão alta a partir de valores de PA >130 x 85 mmHg, devido aos riscos cardiovasculares associados, embora a sociedade brasileira mantenha a definição anterior.
A hipertensão primária é uma condição multifatorial, influenciada por fatores genéticos, ambientais e sociais. O tratamento deve ser contínuo, utilizando anti-hipertensivos. Por outro lado, a hipertensão secundária decorre de outras doenças, como Doença Renal Crônica e distúrbios endócrinos; nesse caso, o tratamento da causa subjacente pode levar à resolução da hipertensão.
É fundamental entender que a hipertensão é frequentemente assintomática. Muitos pacientes acreditam que a pressão alta causa sintomas como tonturas ou dores, mas isso não é verdade. Assim, mesmo na ausência de sintomas, é crucial que os pacientes realizem o tratamento regularmente, pois a falta de controle pode resultar em condições graves, como AVC, infarto e cegueira devido à retinopatia hipertensiva.
Os fatores de risco que, juntamente com a hipertensão, aumentam o risco de doenças cardiovasculares incluem idade superior a 55 anos (ou 65 anos para mulheres), tabagismo, dislipidemia, diabetes e obesidade.
Estágios da Hipertensão Arterial Sistêmica
A hipertensão arterial é classificada em diferentes estágios, conforme os valores da pressão arterial:
- Pré-hipertensão: valores ≥ 130 x 85 mmHg
- Hipertensão estágio 1: PA ≥ 140 x 90 mmHg
- Hipertensão estágio 2: PA ≥ 160 x 100 mmHg
- Hipertensão estágio 3: PA ≥ 180 x 110 mmHg
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da hipertensão arterial pode ser realizado por três métodos principais:
- Em duas consultas distintas, com três aferições de PAS >140 mmHg e/ou PAD >90 mmHg.
- Em uma única consulta, com aferições que indiquem hipertensão estágio III (PA > 180 x 110 mmHg).
- Utilizando o monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou a medida residencial da pressão arterial (MRPA), que são úteis para diagnosticar hipertensão de avental branco ou hipertensão mascarada, além de monitorar a eficácia do tratamento.
A MAPA e a MRPA
No caso da MAPA, o paciente utiliza um dispositivo que registra a pressão arterial durante 24 horas, incluindo momentos de refeição e sono. Já a MRPA envolve a aferição da pressão em casa por um período de 5 a 7 dias, realizando pelo menos duas medições por dia. Após a confirmação do diagnóstico, são solicitados exames para detectar doenças associadas e possíveis complicações, como ionograma, glicemia em jejum, colesterol, triglicerídeos, ácido úrico, creatinina, ureia, sumário de urina e eletrocardiograma (ECG). Em caso de alterações no ECG, como hipertrofia de câmaras ou sinais de insuficiência cardíaca, pode ser necessário realizar um ecocardiograma.
Estratificação de Risco Cardiovascular
A estratificação de risco cardiovascular é essencial para guiar o tratamento dos pacientes hipertensos. Para isso, é preciso conhecer os fatores de risco e comorbidades do paciente. Os indivíduos de alto risco são aqueles que apresentam hipertensão estágio 3, hipertensão estágio 2 com pelo menos um fator de risco ou comorbidade associada, ou ainda aqueles com pré-hipertensão ou hipertensão estágio 1 que apresentam comorbidades ou três fatores de risco.
Tratamento Medicamentoso
Para indivíduos com pré-hipertensão de alto risco ou hipertensão estágio I de baixo risco, recomenda-se inicialmente mudanças no estilo de vida, com reavaliação após três meses. Se a pressão arterial não alcançar os níveis desejados, pode-se iniciar o tratamento medicamentoso com monoterapia. Para hipertensos em estágio I com risco moderado ou estágios II e III, a recomendação é iniciar o tratamento com a combinação de dois fármacos, além das mudanças no estilo de vida.
Os alvos terapêuticos variam: para adultos de alto risco, o objetivo é manter a PA <130 x 80 mmHg, enquanto para adultos de risco moderado ou baixo, o alvo é <140 x 90 mmHg, podendo ser até 150 x 90 mmHg para idosos. É importante ressaltar que a monoterapia pode ser indicada para pacientes muito idosos, frágeis ou com comorbidades significativas.
Fármacos de 1ª linha
Os principais medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão incluem:
- Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA): como captopril e enalapril, que atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduzindo a pressão arterial. Podem causar tosse seca como efeito colateral.
- Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA): como losartana, que não causam tosse seca e têm mecanismo de ação similar aos IECAs.
- Diuréticos tiazídicos: como hidroclorotiazida, que devem ser tomados pela manhã para evitar interferências no sono.
- Bloqueadores de Canal de Cálcio (BCC): indicados para pacientes com angina, como o anlodipino.
Outros Fármacos
Além dos medicamentos principais, também são utilizados:
- Betabloqueadores: podem ser a medicação inicial em casos que beneficiem outras condições do paciente, mas são contraindicados em asmáticos.
- Espironolactona: um diurético poupador de potássio, indicado em casos refratários.
- Alfa-bloqueadores periféricos: indicados em casos de hiperplasia prostática benigna.
- Vasodilatadores arteriais diretos: utilizados em situações de crise hipertensiva.
Conclusão
A hipertensão arterial sistêmica é uma condição crônica que se caracteriza por níveis elevados de pressão arterial (PA >140 x 90 mmHg) e, apesar de ser assintomática, apresenta um alto risco para doenças cardiovasculares. O diagnóstico é simples, baseado na aferição da pressão arterial, e o tratamento deve ser contínuo com anti-hipertensivos. Para um manejo eficiente, é importante que os pacientes estejam cientes da necessidade de acompanhamento médico regular e do impacto das mudanças de estilo de vida em sua saúde cardiovascular.
Fontes
- 8ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial Sistêmica 2020
- Medscape
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