Recentemente, o Projeto de Lei 1738/26 foi apresentado com o objetivo de modificar a Lei Orgânica da Saúde, especificamente no que diz respeito ao processo de avaliação e incorporação de novas tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa proposta, que atualmente está sendo analisada na Câmara dos Deputados, busca aprimorar e dividir em duas etapas o processo de avaliação de medicamentos, produtos e procedimentos que possam ser integrados ao SUS.
Mudanças no Processo de Avaliação
Atualmente, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) realiza a análise científica e econômica de novos produtos de forma simultânea. Com a nova proposta, essa avaliação será reformulada em duas fases distintas. Na primeira fase, serão examinadas as questões científicas e clínicas, que incluem a eficácia, efetividade e segurança do produto. Somente após a conclusão dessa etapa inicial, será realizada a avaliação econômica, que compara os custos da nova tecnologia com as opções já disponíveis na rede pública de saúde.
Negociação de Preços e Condições
Uma das inovações mais significativas trazidas pelo projeto é a introdução de uma fase formal de negociação financeira. Durante a avaliação econômica, o Ministério da Saúde terá a oportunidade de negociar com o fabricante ou detentor da nova tecnologia, buscando ajustar não apenas o preço, mas também outras condições que possam melhorar a relação custo-benefício antes da decisão final sobre a oferta do produto aos pacientes do SUS.
Reuniões de Apresentação Preliminar
O texto da proposta também prevê a realização de reuniões de apresentação preliminar. Essas reuniões poderão ser convocadas pela Conitec ou solicitadas pelo fabricante, e contarão com a participação de especialistas, sociedades médicas, representantes da sociedade civil e dos Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS). O objetivo dessas reuniões é proporcionar um espaço para discussão e esclarecimento sobre o novo remédio ou produto antes da entrega formal do pedido de incorporação.
Objetivos da Proposta
Os autores da proposta, os deputados Silvia Cristina (PP-RO) e Geraldo Resende (União-MS), destacam que as mudanças visam aumentar a transparência e a racionalidade nos gastos públicos relacionados à saúde. Segundo eles, a divisão do processo em fases distintas permitirá uma maior clareza sobre os principais obstáculos à incorporação das tecnologias avaliadas. Isso, por sua vez, proporcionará ao requerente a oportunidade de ajustar parâmetros econômicos, como o preço, visando melhorar a relação de custo-efetividade e beneficiar os pacientes que dependem do SUS.
Próximos Passos na Tramitação do Projeto
Atualmente, o Projeto de Lei 1738/26 está em tramitação em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Saúde, assim como pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que a proposta se transforme em lei, é necessário que seja aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado. Se aprovada, a nova legislação entrará em vigor 180 dias após sua publicação.
Essas mudanças no processo de incorporação de tecnologias no SUS representam um passo importante em direção à melhoria da saúde pública no Brasil, permitindo uma análise mais rigorosa e transparente das inovações que podem beneficiar milhões de brasileiros.
O acompanhamento da tramitação desse projeto é essencial, visto que ele pode impactar diretamente o acesso a novas tecnologias de saúde, refletindo na qualidade dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde.
Nota de Responsabilidade:O Saúde com Inteligência é um portal informativo e educacional. As informações apresentadas não substituem avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica.












