Como Combater a Pediculose Pubiana de Forma Eficaz

Imagem ilustrativa de piolho-do-púbis, Pthirus pubis, em um fundo neutro

A pediculose pubiana, também conhecida popularmente como “chato”, é uma infestação parasitária que resulta da presença do piolho Pthirus pubis. Este ectoparasita tem o hábito de viver nos pelos da região genital, mas pode também ser encontrado em áreas como axilas, peito, barba, sobrancelhas, cílios e pelos ao redor do ânus. Os sintomas mais comuns dessa condição incluem coceira intensa na região pubiana, especialmente à noite, ardência, pequenas feridas causadas pelo ato de coçar, manchas arroxeadas na pele e a presença de lêndeas grudadas nos pelos.

O que é pediculose pubiana?

O piolho-do-púbis, cujo nome científico é Pthirus pubis, é um ectoparasita humano que se distingue dos outros tipos de piolhos, como o piolho da cabeça e do corpo, que pertencem a uma família diferente. O Pthirus pubis pertence à família Pthiridae, enquanto os piolhos da cabeça e do corpo são da família Pediculidae. A pediculose humana pode ser classificada em três tipos principais:

  • Pediculus humanus capitis: piolho que habita o couro cabeludo.
  • Pediculus humanus humanus (ou Pediculus humanus corporis): piolho do corpo que vive e deposita ovos nas costuras das roupas.
  • Pthirus pubis: piolho que prefere os pelos pubianos, conhecido como chato.

O Pthirus pubis é um piolho pequeno, com cerca de 1 mm de diâmetro, cuja forma é semelhante à de um caranguejo, o que justifica seu nome alternativo. Este parasita é translúcido e, portanto, difícil de ser visualizado a olho nu, a menos que tenha se alimentado recentemente.

Transmissão

A pediculose pubiana é classificada como uma doença sexualmente transmissível (DST), pois a transmissão do Pthirus pubis ocorre principalmente através do contato direto entre pelos pubianos durante a relação sexual. Embora o uso de preservativos seja essencial para prevenir outras infecções sexualmente transmissíveis, ele não impede a transmissão do chato, já que a camisinha não cobre toda a região pubiana.

Transmissões não sexuais, embora raras, podem ocorrer através do compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas ou roupas pessoais. O piolho-do-púbis não é capaz de pular ou voar, sendo necessário o contato íntimo para a transmissão entre indivíduos. Além disso, o Pthirus pubis não afeta animais, como cães ou gatos, portanto, não há risco de transmissão por meio deles.

Sintomas

Os sintomas da pediculose pubiana geralmente aparecem cerca de uma semana após a infecção. O sinal mais característico é uma coceira intensa na região pubiana, que pode se estender para outras áreas do corpo que possuem pelos, como barba e axilas. A coceira tende a se intensificar à noite e o ato de coçar pode causar feridas na pele. Outros possíveis sinais incluem:

  • Queimação na região afetada.
  • Aumento dos linfonodos na virilha.
  • Manchas arroxeadas ou manchas escuras na pele devido à reação alérgica à saliva do piolho.

É importante observar que a presença do piolho-do-púbis nas sobrancelhas ou cílios de uma criança requer uma avaliação pediátrica cuidadosa, pois pode levantar suspeitas de abuso sexual.

Tratamento

O tratamento da pediculose pubiana geralmente é realizado com o uso de loções ou cremes antiparasitários. As opções mais comuns incluem:

  • Permetrina a 1%: deve ser aplicada nas áreas afetadas e enxaguada após 10 minutos.
  • Piretrinas associadas ao butóxido de piperonila: aplicadas da mesma forma.

É crucial evitar o contato dos medicamentos com mucosas e não é necessário raspar os pelos pubianos. Roupas, toalhas e roupas de cama utilizadas nos dias anteriores ao tratamento devem ser lavadas em água quente e secas em alta temperatura para eliminar qualquer piolho ou lêndea remanescente.

Além disso, todos os parceiros sexuais devem ser notificados, examinados e tratados, mesmo que não apresentem sintomas visíveis. Recomenda-se evitar relações sexuais até que todos os envolvidos tenham completado o tratamento e estejam livres de infestações.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Como diferenciar a coceira do chato de outras causas de prurido genital?

A coceira causada pela pediculose pubiana é localizada na região com pelos e tende a se intensificar à noite, ao contrário de outras condições como candidíase, que costuma apresentar prurido mais disseminado e corrimento.

É possível contrair pediculose pubiana em piscinas ou saunas?

A transmissão do Pthirus pubis por superfícies inanimadas é extremamente rara, já que o piolho não sobrevive muito tempo fora do corpo humano. O principal modo de transmissão continua sendo o contato direto com pelos contaminados.

Crianças podem ser contaminadas por chato?

Embora a contaminação em crianças possa ocorrer, é essencial investigar a possibilidade de abuso sexual, especialmente se o piolho estiver presente em áreas sensíveis como cílios ou sobrancelhas.

Qual é a duração da sobrevivência do piolho-do-púbis fora do corpo?

Fora do hospedeiro, o Pthirus pubis sobrevive apenas de 24 a 48 horas, o que torna a transmissão por objetos contaminados rara, mas ainda assim é importante higienizar roupas e toalhas.

É necessário depilar a região pubiana para tratar a infestação?

A depilação não é obrigatória para o tratamento, mas pode facilitar a remoção manual das lêndeas. O mais importante é aplicar o tratamento adequado em todas as áreas afetadas.

É possível ter chato mais de uma vez?

Sim, a reinfestação é possível se houver contato com pessoas ou objetos contaminados. Portanto, o tratamento dos parceiros e a higiene adequada são essenciais.

O piolho do chato transmite outras doenças?

Até o momento, não há evidências de que o Pthirus pubis transmita doenças sistêmicas. A principal complicação é a coceira intensa, que pode levar a infecções secundárias.

Como posso prevenir a pediculose pubiana?

A prevenção é baseada principalmente em evitar o contato íntimo com pessoas infestadas e não compartilhar roupas íntimas ou toalhas. Vale lembrar que a pediculose pubiana não está relacionada à falta de higiene.

Referências bibliográficas

  • Pediculosis pubis and pediculosis ciliaris – UpToDate.
  • Pubic “crab” lice – CDC – Division of Parasitic Diseases and Malaria.
  • Pediculosis Pubis – JAMA Network.
  • Scabies and pediculosis pubis: an update of treatment regimens and general review – Infectious Diseases Society of America.
  • Kang S, et al., eds. Scabies, other mites, and pediculosis. In: Fitzpatrick’s Dermatology. 9th ed. McGraw Hill; 2019.
  • Hoffman BL, et al. Gynecologic infection. In: Williams Gynecology. 4th ed. McGraw Hill; 2020.

Nota de Responsabilidade:O Saúde com Inteligência é um portal informativo e educacional. As informações apresentadas não substituem avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica.

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